4º Semana da Quaresma
S. Cirilo de Jerusalém (387)
Is 49:8-15: Fiz convosco uma aliança, para restaurar a terra
Sl 145: "O Senhor é misericordioso"
Jo 5,17-30: O Filho também dá vida
Um dia Jesus disse aos judeus: Meu Pai continua agindo até agora, e eu ajo também. 18 Por esta razão os judeus, com maior ardor, procuravam tirar-lhe a vida, porque não somente violava o repouso do sábado, mas afirmava ainda que Deus era seu Pai e se fazia igual a Deus. 19 Jesus tomou a palavra e disse-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: o Filho de si mesmo não pode fazer coisa alguma; ele só faz o que vê o Pai fazer; e tudo o que o Pai faz, o faz também semelhantemente o Filho. 20 Pois o Pai ama o Filho e mostra-lhe tudo o que faz; e maiores obras do que esta lhe mostrará, para que sejais tocados. 21 Com efeito, como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida a quem ele quer. 22 Assim também o Pai não julga ninguém, mas entregou todo o julgamento ao Filho. 23 Desse modo, todos honrarão o Filho, bem como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho, não honra o Pai, que o enviou. 24 Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida. 25 Em verdade, em verdade vos digo: vem a hora, e já está aí, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão. 26 Pois como o Pai tem a vida em si mesmo, assim também deu ao Filho o ter a vida em si mesmo, 27 e lhe conferiu o poder de julgar, porque é o Filho do Homem. 28 Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham nos sepulcros sairão deles ao som de sua voz: 29 os que praticaram o bem irão para a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados. 30 De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.
Palavra da Salvação. Glória a vós, Senhor.
Comentário
Jesus é acusado de duas falhas graves, segundo as leis judaicas: trabalhar no sábado e fazer-se igual a Deus. Embora formuladas de forma diferente, ambas as acusações estão conectadas. Havia motivos suficientes para processar e condenar esse forasteiro, já que até Deus descansa no sétimo dia. No entanto, Jesus se defende com argumentos que estavam em voga entre pensadores da diáspora, influenciados por filosofias que buscavam unidade e harmonia na natureza. Eles argumentavam que a divindade não pode deixar de sustentar a criação, pois tudo retornaria ao caos. Com base nisso, Jesus afirma que Ele só faz o que vê o Pai fazer, agindo como um verdadeiro Filho. A partir dessa ideia, a confissão cristã elevará sua fé em relação às duas prerrogativas divinas: vida e julgamento. Os cristãos promovem a consciência de serem filhos de Deus, imitando o que veem nele, assim como na Oração do Senhor. Será que nos apegamos mais às regras sociais e religiosas do que à ética do evangelho?
Pensamento do dia:
"Jesus, Palavra do Pai, nos desafia a viver autenticamente, reconhecendo que toda ação e decisão que tomamos impacta nossas vidas e a dos outros" (Fernanda Luza, Escola Claretiano Lima, Peru).