Diário Bíblica Portugués

26 de abril de 2026

3ª Semana Páscoa

S. Rafael Arnaiz Barão (1938)

 

Atos 2,14a.36-41: Deus fez dele Senhor e Messias

Sl 23: "O Senhor é meu pastor, nada me faltará"

1 Pedro 2,20b-25: "Eles voltaram ao pastor de suas vidas"

Jo 10,1-10: "Eu sou a porta das ovelhas"

 

Naquele tempo, disse Jesus: "Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos". Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. Então Jesus continuou: "Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. 

Palavra da Salvação. Glória a vós, Senhor.

 

Comentário

Segundo os Atos dos Apóstolos, a graça da ressurreição, vivida pelos discípulos, tornou-se uma missão: proclamar Jesus crucificado/ressuscitado, o Cristo da fé. Esse Jesus histórico, proclamado como Senhor e Messias, nos convida a uma vida de paz e reconciliação. Aceitar essa mensagem é comprometer-se a lutar contra o mal e a injustiça no mundo. A ressurreição não apenas nos liberta, mas também nos envia em uma missão transformadora, chamando-nos à conversão, ao batismo e a receber o dom do Espírito Santo para viver esta nova vida com fidelidade.

A carta de Pedro nos lembra que seguir Jesus implica uma fidelidade radical ao Reino de Deus, o que às vezes traz sofrimento, mal-entendidos, perseguição e até mesmo morte. Embora não busquemos o sofrimento, aceitamos isso como resultado da nossa consistência com os valores do evangelho. Jesus, que sofreu sem recorrer à violência, nos mostra como viver na vontade de Deus mesmo em meio à adversidade. As cicatriz deles nos curam e nos dão força para seguir em frente. Ao retornar ao Pastor de nossas vidas, assumimos um compromisso com a justiça e a paz, mesmo que isso signifique sacrifício.

Jesus, ao denunciar os falsos pastores, também nos confronta com realidades que desafiam a Igreja e a sociedade hoje: realidades como o clericalismo, machismo, patriarcado, abuso sexual e de poder, assim como abuso econômico. São formas modernas de serem "ladrões e salteadores", que não entram pela porta, mas buscam se aproveitar do rebanho, causando danos e destruição. Em contraste, o pastoreio que Jesus propõe é a proximidade e o cuidado, onde as ovelhas são conhecidas e amadas. Esse pastoreio nos convida a rejeitar qualquer forma de liderança que perpetue abuso ou exploração. Em vez de uma liderança que se submete, Jesus nos chama a dar dignidade e construir relacionamentos baseados na empatia, na justiça e no respeito.

No momento em que esses escândalos ferem profundamente a Igreja e minam a confiança do povo, é essencial assumir a responsabilidade de transformar nossa liderança e pastoreio, para que realmente sejamos protegidos e cada pessoa seja ungida. Como podemos, seguindo o exemplo de Jesus? Erradicando todas as formas de abuso em nossas comunidades e criar uma liderança que promova a vida em abundância!

 

Pensamento do dia:

"Jesus, como caminho para a vida plena, nos convida a ouvir sua voz e a segui-lo e, ao mesmo tempo, tomar distância das falsas promessas que nos roubam a paz e a alegria" (Jovem da Escola Claretiana de Trujillo, Peru).


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