3 de Páscoa
Santo Expedito (303)
Atos 2,14, 22-33: Não era possível que a morte o mantivesse sob seu domínio
Sl 16: "Senhor, tu me ensinas o caminho da vida"
1 Pedro 1,17-21: "Eles foram redimidos pelo sangue de Cristo"
Lucas 24,13-35: Eles o reconheceram ao partirem o pão
13 Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. Então Jesus perguntou: "O que ides conversando pelo caminho?" Eles pararam, com o rosto triste, e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: "És Tu o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?" 19 Ele perguntou: "O que foi?" Os discípulos responderam: "O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. 20 Nossos sumos sacerdotes e magistrados o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21 Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu". Então Jesus lhes disse: "Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?" E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: "Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!" Jesus entrou para ficar com eles. Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. Então um disse ao outro: "Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?" Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. E estes confirmaram: "Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!" Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.
Palavra da Salvação. Glória a vós, Senhor.
Comentário
Jesus, um jovem/adulto cheio de vida e utopias, foi brutalmente assassinado na cruz pelo império, em cumplicidade com os líderes religiosos de sua época. Mas Deus o ressuscitou! Este é o Querigma, a primeira proclamação que Lucas nos apresenta, tanto em seu Evangelho quanto nos Atos dos Apóstolos, onde a vida de Jesus é registrada. Nesta mensagem, crucificados e ressuscitados não estão separados. A encarnação e suas consequências (perseguição, injustiça, pena de morte) são parte inseparável da apresentação do Ressuscitado. Em um mundo hostil, a vulnerabilidade de Jesus traz um novo brilho e força à experiência da ressurreição.
Deus não fica do lado de fora, nem é distante ou impassível. Na Ressurreição, Ele toma o partido dos crucificados, dos injustamente condenados, e pela vida dos mais pobres. É o clamor de Deus que exige o fim da violência, da corrupção e do poder que esmaga os inocentes. É a confirmação divina da consistência da vida de Jesus: suas palavras, ações e escolhas sempre estiveram do lado dos pobres, doentes e marginalizados.
Esse processo de compreensão e transformação também foi experimentado pelos discípulos no caminho para Emaús. A princípio, confusos e desesperados, não reconheceram o Ressuscitado, mas foi ao partir o pão que seus olhos se abriram. Como eles, somos convidados a reinterpretar nossas vidas à luz da Ressurreição. A experiência do encontro de Jesus com os seus discípulos, deu e nos dá também forças para curar as feridas do passado e transformar a dor em energia renovada para continuar a missão.
Nesta época pascal, vamos reviver esse mesmo espírito. Proclamemos com alegria que Jesus está vivo e que Ele continua a compartilhar seu pão com aqueles que sofrem. Como os discípulos de Emaus, voltemos às nossas comunidades com o coração ardendo e um renovado compromisso de sermos testemunhas da vida e da justiça. Que tal reinterpretar a sua vida pessoal, familiar e comunitária à luz da Ressurreição?
Pensamento do dia:
"Jesus é o pão da vida que nutre nossas vidas. Ao compartilhar sua mesa, encontramos a paz que buscamos e a força para enfrentar qualquer desafio" (Jovem da Escola Claretiana de Trujillo, Peru).