Diário Bíblica Portugués

8 de Maio de 2022

Primeira leitura: At 13,14.43-52: 
Eis que nos voltamos para os pagãos.
Salmo: Sl 99,2.3.5 (R. 3c): 
R. O Senhor, só ele é Deus, somos o seu povo e seu rebanho.
Segunda leitura: Ap 7,9.14b-17: 
O Cordeiro vai apascentá-los e os conduzirá às fontes da água da vida.
Evangelio: Jo 10,27-30: 
Eu dou a vida eterna para minhas ovelhas.

 Tema: 4o. Domingo da Páscoa

Naquele tempo, disse Jesus: As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos um.'

 

Comentário 

A primeira leitura nos apresenta hoje a Paulo e Barnabé em todo o seu apogeu evangelizador, onde podemos verificar o processo que vai percorrendo a expansão do Evangelho. Por um lado, o espaço físico do qual a Boa Nova é proclamada é a própria sinagoga judaica; o meio é, naturalmente, a mesma Escritura antiga, da qual as promessas são proclamadas e confirmadas com o anúncio da morte e ressurreição de Jesus como cumprimento delas. Isto significa que os destinatários originais são os israelitas; É isso que Paulo formula e o corroboram os outros apóstolos. Há, é claro, uma acolhida da nova mensagem por parte de muitos, mas também há violentas rejeições à pregação de Paulo e, antes dele, a Pedro e aos outros. A rejeição oficial não permanece apenas em não aceitar a mensagem; também inclui a expulsão da sinagoga e as ameaças àqueles que, sendo judeus, se converteram ao novo caminho e pretendem comparecer à sinagoga por qualquer circunstância.

Tudo isso nos ajuda a ter uma idéia das dificuldades que o anúncio do Evangelho teve que enfrentar em suas origens, e a maneira pela qual Paulo, apropriadamente chamado de "o apóstolo dos gentios", está abrindo o caminho para que o Evangelho de Jesus seja anunciado e conhecido em todo o mundo, independentemente de fronteiras, raças ou classes sociais.

Este é outro dos efeitos da ressurreição de Jesus: o conhecimento, por parte de todos os seres humanos, da Boa Nova do amor de Deus, que em Jesus resgatou toda a humanidade e colocou-a sob a proteção e guia de um só Pai de todos, o Pai de Jesus.

De acordo com isso, a visão apocalíptica que João nos descreve na segunda leitura ainda é uma visão poético-simbólico-fantástica. Ele quer tornar conhecida a nova ideia de Deus que Jesus nos revela no Novo Testamento: seu Pai é o Deus Pai de todos os homens e mulheres, sem exceção. Todos são recebidos na nova realidade estabelecida pelo Cordeiro, já que todas as fronteiras que os humanos vêm construindo para viver separados e divididos foram superadas. Não haverá mais divisão ou rejeição, porque em Jesus Cristo todos fomos recebidos como irmãos. O Cordeiro imolado será o pastor que conduzirá todos os eleitos às fontes de água viva ... Não há dúvida de que as imagens poéticas usadas pelo texto estão muito distantes (elas têm quase vinte séculos).

O evangelho nos traz apenas quatro versículos de um dos capítulos mais elaborados de João. Nada de palavras diretas de Jesus, nem mesmo de palavras históricas, mas pura teologia joanina, num contexto cultural e filosófico bem determinado. Lê-las, tomá-las, ouvi-las diretamente, sem filtros, como se fossem palavras do nosso contexto, e ditas pelo próprio Jesus... seria um erro.

Definitivamente, a homilia deste domingo pode ser guiada por uma destas três opções:

a)Os pastores na Igreja. Nesta, como em toda comunidade humana, sempre houve um papel de liderança e/ou organização; todos aqueles que exercem algum "ministério" (serviço) ou alguma autoridade são de algum modo "pastores" dos demais. Esta trabalho "pastoral", logicamente, tem que buscar exemplo das características do "bom pastor" Jesus, que não usa as ovelhas, mas dá a vida por elas. Bastará glosar todas essas características.

Este tema pode ser prolongado - se for apropriado para o público - no tema dos ministérios na Igreja: seu estado atual, a possibilidade de mudança, a necessidade de encontrar novas formas, a crise de algumas formas atuais, etc.

b) As vocações para o ministério pastoral. Este domingo foi escolhido em muitos países para a celebração do "Dia Mundial de Oração pelas Vocações", que é muito bom, desde que não dê a impressão de que "vocações" são apenas sacerdotais ou para a vida religiosa, e que se esclareça que "todos nós temos uma vocação", e que "todas as vocações são importantes", também a laical (e muito), e que "para cada um, a melhor vocação é a sua". Além disso, a pastoral não deve ser identificada como sacerdotal: todos somos chamados a ser "pastores" de outros: na família, na vizinhança, na comunidade humana... todos podemos assumir responsabilidade por nossos irmãos, especialmente aqueles mais fracos, ou aqueles que estão sozinhos ou em necessidade, todos nós podemos/devemos ser pastores uns dos outros.

c) Jesus, "o" bom pastor e o pastor universal. De fato, no Evangelho de João, o problema não é a bondade do Pastor Jesus, mas a sua autenticidade, em comparação com outros "pastores" ou mediadores divinos, que seriam falsos... Algo como o tema da "unicidade" de Jesus como salvador. Jesus é o "único pastor das nossas almas"? "Não há outro nome" em que possamos ser salvos? (At 4,12). É o tema do pluralismo religioso e da releitura de todo o cristianismo que essa nova visão teológica exige. Não é um tópico para qualquer auditório, mas é um tema que deve estar presente na cabeça de todos os que falam ao povo sobre "o" bom Pastor Jesus, embora não toque o assunto explicitamente. O amor e o entusiasmo espiritual não justificam dizer muitas coisas que não são tão verdadeiras, que não devemos mais dizer. Sempre que possível, será bom abrir a visão de nossos irmãos e irmãs a respeito da presença e ação salvífica de Deus, além de uma interpretação estreita e chauvinista de "um só rebanho e um só pastor".

Oração
Deus nosso Pai, que enviastes o vosso Filho Jesus como Bom Pastor que deu a sua vida pelas ovelhas: pedimos-vos que nos dês muitos pastores de acordo com o vosso coração, para que, animados pelo exemplo de Jesus, conduzam o vosso povo decisivamente pelos novos caminhos que os tempos atuais exigem. Por J.N.S.

Santo do Dia
Nossa Senhora de Luján

Esta devoção remonta ao ano 1630, quando ela se manifestou a uma comitiva que ia de Buenos Aires a Tucumán, travando as rodas da carroça em que se encontrava um caixote com a imagem da Imaculada Conceição. Bastou retirá-lo para que a carroça se movesse com facilidade. A comitiva entendeu que o desejo da Virgem era permanecer naquele lugar, às margens do rio Luján. É a padroeira da Argentina, do Paraguai e Uruguai. É invocada com a seguinte oração:

Ó Virgem Santíssima de Luján. A ti recorremos neste vale de lágrima, atraídos pela fé e pelo amor que tu mesma infundiste em nosso coração. Ó Mãe querida, alivia a nossa dor, consola as nossas angústias, dá-nos o pão material e o alimento espiritual para fortalecer o nosso corpo e a nossa alma. Faze com que não nos falte um emprego estável e uma justa remuneração. Elimina o ódio e o egoísmo do coração de todos os homens. Virgem Santíssima de Luján, ilumina o nosso caminho para que, unidos na paz e fraternidade, com todos os irmãos da terra, continuemos a marcha gloriosa para a casa do Pai. Abençoa, ó Mãe, o Brasil, cujos filhos cantam os teus louvores, agora e pelos séculos dos séculos. Amém.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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