Consulta diaria

Primeira leitura:Ex 22,20-26: 
Se fizerdes algum mal à viúva e ao órfão minha cólera se inflamará contra vós.
Salmo: Sl 17,2-3a. 3bc-4. 47.51ab (R. 2): 
Eu vos amo, ó Senhor, sois minha força e salvação.
Segunda leitura: 1Ts 1,5c-10: 
Vós vos convertestes, abandonando os falsos deuses, para servir a Deus esperando o seu Filho.
Evangelio: Mt 22,34-40: 
Amarás o Senhor teu Deus, e ao teu próximo como a ti mesmo.

Tema: 30º Domingo do Tempo Comum

Naquele tempo: Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: 'Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?' Jesus respondeu: '`Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!' Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: ?Amarás ao teu próximo como a ti mesmo'. Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos.

 

Comentário

A legislação de Israel estava orientada a mitigar os efeitos do empobrecimento das grandes massas de camponeses. O exílio, o deslocamento forçado por causa da guerra, a usura... se convertiam numa ameaça para a convivência e, sobretudo, contradiziam os fundamentos éticos do povo de Deus.

O "código da aliança" colocava ênfase, não apenas nas rubricas litúrgicas ou nas orientações religiosas, mas na proteção dos setores mais vulneráveis da sociedade: imigrantes, viúvas, órfãos, diaristas e pobres em geral. Os imigrantes porque, na maioria dos casos, eram exilados da guerra que haviam sofrido o deslocamento forçado e chegavam às terras de Israel sem outro recurso a não ser suas próprias mãos. A legislação recorda os benefícios do êxodo e a mudança de situação do povo hebreu que passou da escravidão à liberdade. As viúvas e os órfãos estavam à mercê dos parentes homens que detinham o monopólio jurídico da terra. Os diaristas estavam à mercê dos proprietários de terra que lhes pagavam quando queriam e não ao final do dia, como determinava a lei. O clamor destas pessoas se convertia numa preocupação do Deus libertador que não podia deixar impune os opressores, exploradores e usurários.

Um homem do antigo Israel, como Jesus, ficaria surpreso ao ver que nossa sociedade se baseia na usura. Para eles, os exagerados juros de uma dívida eram uma autêntica vergonha. E mais se assustaria ao saber que os grandes exploradores governam as políticas dos países e determinam quem vai viver satisfeito e quantos milhões de pobres morrerão de fome. A usura (empréstimo com juros exagerados) é, na Bíblia, um delito comparável somente com o assassinato. A usura é a maior ameaça para o povo pobre que se vê obrigado a empenhar até a própria roupa para poder comer. A usura tem sua origem na injusta percepção dos valores sociais, pois a ambição e o acúmulo se convertem no objetivo das relações sociais, tirando-lhes seu caráter de gratuidade e solidariedade.

Esta situação fica consagrada igualmente no plano internacional. Tão consagrada, que se considera "natural" a situação de submissão absoluta com que as finanças internacionais, vergonhosamente especulativas, dominam a vida e o trabalho das maiorias dos diferentes países, mediante a subida e a descida, quase inteiramente caprichosa, dos interesses dos "mercados internacionais". Anos atrás foi com a Dívida Externa: países inteiros gravados com dívidas que equivaliam a muitas vezes seu produto nacional bruto anual... ou seja, deviam tudo o que podiam produzir durante vários anos, poderíamos dizer que de fato deviam a si mesmos. E tudo isso, provindo de alguns empréstimos que haviam sido oferecidos a juros baixíssimos, mas "flutuantes", juros que uma vez contraídas as dívidas foram internacionalmente elevados até a 18%, quando ao longo da história tais juros nunca haviam ultrapassado os 6%. Nos empréstimos pessoais sabemos quando os juros começam a ser usurários. Por que não se sabe quando os juros começam a ser "usura" no plano internacional Não estamos vivendo uma situação de usura no sistema financeiro internacional? Costumamos pensar que o mundo civilizado e moderno é bem diferente daquele mundo de massas pobres e de escravos que não eram donos de si mesmos, mas a diferença não é tão grande: as grandes estruturas de injustiça são agora muito mais complexas, sofisticadas e massivas.

Paulo, na Primeira Carta aosTessalonicenses, interpreta a passagem de uma mentalidade legalista e opressora, para uma mentalidade criativa e libertadora, como uma mudança da idolatria ao culto ao Deus verdadeiro, ao Deus da Vida. Enquanto os hebreus eram prisioneiros dos intermináveis preceitos da Lei (a escrita e a oral), os assim chamados pagãos eram escravos da incessante maré de pensamento e de religiões que os impediam de descobrir-se a si mesmos como escravos da idolatria do império. Paulo propõe aos gentios não uma religião a mais, e sim um novo estilo de vida em que o discernimento, a gratuidade e a consciência de ser livres constituía o fundamento da relação com Deus e com o próximo.

O evangelho (Mt 22,34-40) aponta, precisamente, na mesma direção ao mostrar-nos que para Jesus, o fundamento da relação com Deus e o próximo é o amor solidário. Jesus sintetiza o decálogo e quase toda a legislação em seu princípio de amor fraternal e recíproco.

Os juristas gostavam de provar os conhecimentos que Jesus tinha sobre a Lei. Para eles o mandamento mais importante era a observância do sábado. Nesse dia deviam dedicar-se por completo ao repouso e a escutar a leitura da Escritura. Com o tempo converteram esta lei numa carga que os pobres suportavam a duras penas.

O sábado havia deixado de ser festa do Senhor e havia se convertido num dia lúgubre, cheio de prescrições ridículas que impediam as pessoas de mobilizar-se, cozinhar e até de auxiliar os necessitados.

Quando os juristas perguntam a Jesus pela lei mais importante esperam que ele cometa um erro e se pronuncie contra a mesma Lei. Jesus se adianta e lhes faz ver que na Lei o mais importante é o amor a Deus e o amor ao próximo. O amor é o espírito mesmo da legislação divina.

Ao colocar estes dois mandamentos como eixo de toda a Escritura, Jesus coloca em primeiro lugar a atitude filial para com Deus e a solidariedade inter-humana como os fundamentos de toda a vida religiosa. Inclusive, a adequada interpretação da Escritura (a Lei e os Profetas) depende de que sejam compreendidos e assumidos estes dois imperativos éticos.

Nós vivemos hoje em sociedades que têm muito mais normas que o povo judeu, inclusive nossas igrejas têm extensas legislações. Vivemos também num mundo que tem muitos milhões a mais de pobres oprimidos pela usura internacional, do que os pobres oprimidos pelos quais clamaram os profetas. A Palavra de Jesus que hoje recordamos e atualizamos em nossa celebração é um apelo a sacudir nossa passividade, a recuperar a indignação ética frente à situação intolerável deste mundo chamado moderno e civilizado, e a voltar ao essencial do Evangelho, ao mandamento principal, aos dois amores.

Oração
Deus, nosso Pai: aumentai nossa fé, nossa esperança e, sobretudo, aumentai nosso amor e nosso sentido de justiça, de modo que vivamos sempre próximos a nossos irmãos, especialmente aos mais necessitados. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Santo do Dia
São Frei Galvão
1739-1822 ? religioso franciscano ? \"Galvão?, entre outros significados,
quer dizer \"aquele que é sempre verde? ou ainda \"cortês?

Frei Antônio de Sant?Ana Galvão nasceu em Guaratinguetá (SP) em 1739 e morreu no Mosteiro da Luz (SP). Em 1774 fundou o Recolhimento de N. S. da Conceição da Divina Providência, hoje Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz, das Irmãs Concepcionistas. São famosas as pílulas de Frei Galvão, às quais se atribui poder de cura. Constituem-se de papelinhos em que está escrito em latim a frase extraída do Breviário: \"Depois do parto permanecestes virgem, Mãe de Deus, intercedei por nós?. Esses papelinhos são enrolados em forma de pílulas e ingeridos pelo devoto. É invocado com a seguinte oração:
Meu querido Frei Galvão, valendo-se da palavra de Deus, ajudastes milhares de pessoas a recuperar sua saúde. Intercedei por mim junto a Deus para que eu também possa me livrar de toda enfermidade, física ou espiritual, que possa vir a afligir-me. Despertai em meu coração a vontade de encontrar forças para suportar e vencer minhas atuais dores, pela leitura, meditação e vivência da Sagrada Escritura.