Consulta diaria


Primeira leitura: Is 2, 1-5: 
Vinde, todos da casa de Jacó, e deixemo-nos guiar pela luz do Senhor.
Salmo: Sl 121, 1-2.4-5.6-7.8-9 (R. Cf. 1): 
Que alegria, quando me disseram: 'Vamos à casa do Senhor!'
Segunda leitura: Rm 13,11-14a: 
A salvação está mais perto de nós.
Evangelio: Mt 24,37-44: 
Ficai atentos e preparados!

 

 

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos: 'A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé. Pois nos dias, antes do dilúvio, todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. E eles nada perceberam até que veio o dilúvio e arrastou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem. Dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado e o outro será deixado. Duas mulheres estarão moendo no moinho: uma será levada e a outra será deixada. Portanto, ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor. Compreendei bem isso: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. Por isso, também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá.

Comentário

Hoje começa o ano litúrgico, que não coincide com o ano civil. O ano litúrgico é uma periodização própria da Igreja católica. Começa com o tempo do “advento”, um dos vários tempos de que é composto o ano litúrgico... “Ad-vento”, significa vinda, e alude à vinda de Cristo, que, biblicamente falando, acontece de duas formas: a que já aconteceu em lugar histórico, que celebramos no Natal, e a futura, a chamada “segunda vinda” de Jesus, em poder e majestade, que colocará fim ao mundo e inaugurará o “juízo final”, o juízo das nações, e abrirá a era definitiva, o “novo eon”, a vida eterna beatífica para os que são salvos, e o sofrimento no inferno para os condenados. Tudo isso, dito em linguagem clássica tradicional, para nos situarmos perante o tema.

Porém, qual a nossa crença em relação a tudo isso? Ou cremos que tudo isso talvez não passe de simbologia?

Os últimos capítulos do evangelho de Mateus formam o chamado “discurso escatológico” de Jesus. O evangelista agrupa os seus discursos “escato-lógicos”, ou seja, os que se referem ao final (do mundo). Já sabemos o que diz a hermenêutica bíblica e não vamos entrar no tema da historicidade dessas palavras ou ditos enquanto efetivamente pronunciados por Jesus. Jesus poderia ter expressado estas ou outras ideias semelhantes, porque Jesus esteve imerso na mentalidade religiosa e cultural do seu tempo – da mesma forma - como disse que Deus “faz nascer o sol” sobre os justos e sobre os pecadores, parque participava da visão cosmológica precopernicana -. Porém, a pergunta importante para nós é: devemos crer hoje na “descrição do fim dos tempos”, descrição própria dessa visão apocalíptica? Cremos efetivamente que Jesus virá de novo, talvez em breve, e com semelhantes consequências?

Richard DAWKINS, que se tornou muito popular com seu combate crítico às crenças religiosas, confessa que fica “impressionado ao constatar que 50% dos americanos acredita que o mundo tem apenas 6 mil anos”, e acrescenta: “A única superpotência mundial atual está a ponto de ser dominada por eleitores que acreditam que o universo inteiro começou depois da domesticação do cachorro. Acreditam também que serão pessoalmente “arrebatados” às alturas celestes, ainda estando em vida, fato que será seguido por um Armagedom, muito bem-vindo como arauto da segunda vinda de Cristo”. Sam HARRIS, por sua vez (Letter to a Christian Nation), aduzindo questões do Instituto Gallup, sustenta que “nada menos que 44% da população dos Estados Unidos está convencida de que Jesus vai voltar para julgar os vivos e os mortos, em algum momento dos próximos cinquenta anos”. “Imaginem vocês as consequências, se algum membro significativo do governo dos Estados Unidos realmente acreditasse que o mundo está pronto para acabar desta maneira... O fato de que quase a metade da população dos Estados Unidos creia nisso, baseada simplesmente em um dogma religioso, deve ser considerado uma emergência moral e intelectual”. Dawkins, que assina o prefácio de Harris, acrescenta que falar de uma “emergência moral e intelectual” talvez seja ainda muito moderado.

Efetivamente, ainda que tenhamos esquecido histórias de muitos movimentos milenaristas de séculos passados, hoje sabemos bem as conseqüências terríveis atuais das crenças religiosas que derivam em violência e terrorismo por motivações religiosas verdadeiramente apocalípticas. As crenças religiosas, sobretudo sua interpretação, não são mero “assunto privado” de cada um. A crença dos norte-americanos, eleitores da maior potência militar do mundo, para mim não é simplesmente “assunto privado” deles. O que pensam sobre o fim do mundo e sobre a intervenção e o domínio que Deus exerce sobre o nosso modo de gerir este mundo; não é um assunto religioso privado do qual a sociedade não deva preocupar-se porque, em determinadas circunstâncias, pode chegar a ser, verdadeiramente “uma emergência moral e intelectual”. Pensemos também na quantidade de crentes de pequenas igrejas “livres” que se multiplicam em meio a uma massa da população que vive em setores de pobreza e miséria e nas crenças fundamentalistas que difundem. Não são realidade de interesse público, talvez de saúde pública, ou inclusive de “emergência moral e intelectual”?

Quase com toda segurança, os leitores deste comentário bíblico não estarão nessas penosas situações religiosas que acabamos de aludir. Porém, é bem provável que não saibam bem o que dizer diante do evangelho de hoje: continuamos ou não crendo na “segunda vinda de Cristo”? Provavelmente não creiam em sua vinda iminente, nem em seu caráter “apocalíptico”, nem em um Armagedom e suas ameaças. Porém não decidiram se continuam crendo ou não na “segunda vinda de Cristo”. Enquanto não decidirem criticamente – enquanto não personificam sua fé nesse sentido – continuarão crendo com uma crença tradicional (confiarão uma parte importante de sua vida a essa crença), que o mais profundo da realidade é a existência de um plano de um Deus que quis criar-nos e colocar-nos à prova e que essa “segunda vinda” será a passagem para a vida eterna definitiva. Isso é o que significa a “segunda vinda”.

Ocasiões como estas, do domingo que inaugura o Advento (vinda), que coloca diante de nossos olhos meditativos essa segunda vinda, são, deveriam ser, uma ocasião para “pegar o touro pelos chifres” e abordar esses temas, sem contentar-se em fazer uma homilia “genérica”, com referências litúrgicas direcionadas ao simbólico, sem responder a nenhuma das perguntas que estão na mente dos ouvintes.

A esperança foi considerada classicamente como a virtude típica do Advento, a dimensão da nossa vida na qual meditar, a força pessoal para ser cultivada especialmente em quatro semanas. Como o povo de Israel e tantos outros povos viveram a história como um caminhar iluminado pela esperança do encontro com Deus, o advento nos convida a considerar nossa vida como um caminhar que somente podemos conduzir bem com a força da esperança. Qual o peso da esperança em nossa vida?

Em ambientes de nossa cidade e nos meios de comunicação... já se vê instalada a publicidade de natal. Para o comércio, advento significa bombardeio publicitário que antecede o natal, um natal que, para esse segmento da sociedade, não seria tal sem um aumento do consumo em todos os campos. Um cristianismo coerente não deve cair na armadilha da mensagem de tantos sinais aparentemente religiosos para a pretensão de tão somente fazer-nos consumir.

Na primeira leitura de Isaías, uma das frases – a da conversão das lanças em foices – figura no vestíbulo do edifício das Nações Unidas em Nova York, expressa bem a dimensão terrena da utopia da esperança que animava os profetas: um mundo reconciliado, de paz na convivência e no trabalho, um mundo onde seriam superadas as guerras e os arsenais de armas e as manobras militares. Por pertencer ao Primeiro Testamento, falta a Isaías a visão universalista: não podemos pensar que o “final dos tempos ou o fim da humanidade” sejam a sua caminhada para o monte Sião, mas para a Utopia de Deus, seja qual for o monte sagrado de cada religião.

Oração

Pai de bondade e de amor, Vós nos prometestes uma vida plena de felicidade. Aumentai em nós a fé e fazei que, animados pela esperança de receber o prêmio prometido, saibamos manter-nos sempre ativos e dispostos a trabalhar convosco no cumprimento de vossas promessas. Isto vos pedimos por Jesus Cristo, vosso Filho, nosso irmão e mestre. Amém.

Santo do Dia
S. Elói
C. 588-660 ? bispo ? patrono dos artesãos, ourives, ferreiros,
metalúrgicos ? \"Elói? quer dizer \"o escolhido, eleito?.

Elói ou Elídio, como também é chamado, nasceu em Chaptelat no Limosine, por volta de 588. Fortemente inclinado aos trabalhos manuais, foi ourives, ferreiro, comerciante de cavalos, mecânico, cocheiro, fabricador de selas e de facas, carreteiro e, bispo. Destacou-se como importante ourives, ao construir um trono de ouro para o rei Clotário II. Atribuem-se a ele o túmulo de S. Martinho de Tours, o mausoléu de S. Dionísio de Paris, o cálice de Cheles, os relicários de S. Germano de Paris, S. Piat, S. Severino, S. Genoveva. Foi um dos conselheiros mais influentes do rei Clotário, conseguindo com sua diplomacia restabelecer a paz no reino. Suas múltiplas atividades não o afastavam dos cuidados que tinha pelos pobres, pelos que se encontravam prisioneiros. Fundou vários mosteiros, entre os quais o de S. Martinho, em Noyon... Em 641, foi nomeado bispo de Ruão, quando procurou organizar sua diocese, dando testemunho da fé e de zelo pastoral.