Consulta diaria

Primeira leitura: Ex 16,2-4.12-15: 
Eu farei chover para vós o pão do céu.
Salmo: Sl 77,3.4bc.23-24.25.54 (R. 24b): 
O Senhor deu a comer o pão do céu.
Segunda leitura: Ef 4,17.20-24: 
Revesti o homem novo, criado à imagem de Deus.
Evangelio: Jo 6,24-35: 
Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede.

 

Naquele tempo: Quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: 'Rabi, quando chegaste aqui?' Jesus respondeu: 'Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo'. Então perguntaram: 'Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?' Jesus respondeu: 'A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou'. Eles perguntaram: 'Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti?' Que obra fazes? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: 'Pão do céu deu-lhes a comer'. Jesus respondeu: 'Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo'. Então pediram: 'Senhor, dá-nos sempre desse pão'. Jesus lhes disse: 'Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede.

Comentário

A primeira leitura, do Êxodo, recorda-nos como o deserto é a carência de tudo. Toda pessoa, de vez em quando, é forçada a viver uma situação de deserto: a situação crítica na qual parece não encontrar soluções de ajuda para sobreviver a tão dura situação. Para o povo de Israel era bem proveitoso passar pelo deserto onde faltava tudo, para que pudesse experimentar o portentoso modo que Deus usa para ajudar os que nele confiam. No deserto o Povo de Deus aprendeu a experimentar a condição de "pobre", de "necessitado de tudo" do auxílio de Deus. Isto lhe será útil para o crescimento de sua fé e de sua esperança nas ajudas milagrosas. Na península do Sinai há um arbusto chamado "tamarisco". Produz uma secreção doce que goteja das folhas até o solo. Com o frio da noite se solidifica e deve ser recolhida de madrugada antes que o sol a derreta. Seria isto o que Deus proporcionou a seu povo, multiplicando-o, de maneira prodigiosa? Verdade é que os israelitas consideraram sempre o aparecimento deste alimento como uma demonstração da intervenção milagrosa em favor de seu povo. Eles o chamaram de "maná", porque as crianças ao comê-lo perguntavam: "o que é isto", "em seu idioma se diz: 'Man-ah'". Também é chamado pelos salmos de "pão do céu" (Sl 78) e o livro da Sabedoria diz que, "continha em si todas as delícias e adaptando-se a todos os gostos" (Sb16,20). Jesus dirá que o Verdadeiro Pão descido do céu será seu corpo e seu sangue, ou seja, este maná milagroso do deserto era um símbolo e aviso do que Deus iria fazer mais tarde com seus escolhidos, dando-lhes como alimento o corpo de seu próprio Filho divino.

A segunda leitura, que é continuação da carta aos Efésios, pede aos fiéis que se deixem renovar pelo Espírito Santo e passem de um modo de agir não digno do ser humano, a um modo de agir digno de quem tem fé em Cristo. Pede que abandonemos nosso estilo anterior de vida pecaminosa e caminhemos adiante por um novo caminho de vida cristã. Somos convidados a não deixar-nos guiar por esta "variedade de critérios". Nestes poucos versículos continua a exortação a buscar a unidade e a viver dignamente a própria vida cristã, guiada e fundamentada num verdadeiro conhecimento de Cristo. Paulo desenvolve este argumento jogando com a antítese do homem velho e do homem novo (Cl 3,9-10; 1Cor 5,7-8). Escolher a novidade, o novo, é escolher a Cristo. Isto significa romper com o velho ser humano pecaminoso, com o pecado do mundo, para estar dispostos a uma contínua renovação no Espírito, a viver na justiça e santidade e ser justos e retos. Este texto é uma clara resposta àqueles que pensam que o cristianismo simplesmente é uma coisa do passado.

O evangelho deste domingo, de João, o discurso do pão da vida, se desenvolve em três afirmações logicamente sucessivas, e a primeira apresentada pelo texto é: o real ou verdadeiro "pão do céu" não é o maná dado uma vez por Moisés, contrariamente ao que o povo pensava (v.31). É literalmente o pão que desceu do céu. Deus, e não Moisés, é quem dá este pão (v.32). Jesus realizou sinais para revelar o sentido de sua pessoa (domingo anterior), mas o povo o entendeu na linha de suas necessidades materiais (6, 26.12). Jesus quis levar-nos à compreensão de sua pessoa, porque somente através da fé podem entender quem ele é e somente assim poderá dar-se a eles como comida: mas para fazer isto é necessário trabalhar ou procurar por um alimento e uma vida que não têm fim e que são dons do Filho do homem (v.27). Os judeus pensam de imediato nas obras (v.28; Rm 9,31-32), mas Jesus replica que somente uma coisa devem cumprir: crer nele (v.29; Rm 3,28), reconhecer que têm necessidade dele, como se tem necessidade do alimento material. A exigência tão grande de Jesus é porque pedem a demonstração de um sinal que ao menos se compare com aquelas realizadas por Moisés (vv. 30-31), pois aqueles que acaba de realizar (6,2) não se consideram suficientes. Jesus responde afirmando que ele é maior que Moisés, pois nele (Cristo) se realiza do dom de Deus que não perece. Seu pão pode ser recolhido (6,13), o maná apodreceu (Ex 16,20).

"Eu sou o pão da vida" é uma fórmula de força extraordinária, parecida àquelas que somente a Jesus se poderia atribuir: "Eu sou a luz do mundo", "Eu sou o bom pastor"... aquele que vem a Jesus não terá fome e nem sede, não necessita de outras fontes de alegria para saciar seus anseios e aspirações. Jesus é fonte de equilíbrio e de alegria, fonte de sossego e de paz. Jesus é o lugar e fundamento da doação da vida que Deus faz ao ser humano. Em Jesus Cristo, Deus está por completo a favor do ser humano, de tal modo que nele se abre sua comunhão vital, sua salvação e seu amor, e em tal grau que Deus quer estar ao lado do ser humano como quem se dá e comunica sem reservas. Na comunhão com o revelador –Cristo– se acalma tanto a fome como a sede de vida que agitam o ser humano.

Oração

Ó Deus, Pai bondoso, que em Jesus de Nazaré nos presenteastes verdadeiramente com o pão do céu, aumentai a nossa fé para que, recebendo-o, sacie a fome de Verdade que há dentro de cada ser humano. Amém.

Santo do Dia

Nossa Senhora das Neves

séc IV


Patrício João, um rico senhor romano, e sua mulher não tinham filhos nem esperança de tê-los. Resolveram, então, de comum acordo, doar toda a sua fortuna a Nossa Senhora. Em sonhos, e ao mesmo tempo, a Virgem apareceu ao casal e ao papa Libério, pedindo que fossem ao Monte Esquilino, em Roma, e, no lugar que estivesse coberto de neve, edificassem uma igreja dedicada ao seu louvor. Embora fosse tempo de forte calor, encontraram o lugar coberto de neve, onde foi edificado o santuário de Nossa Senhora das Neves. É geralmente representada com o Menino Jesus nos braços, ambos com flores nas mãos e envoltos de nuvens e anjos. Outras vezes, segura o Menino Jesus nos braços e traz um cetro na mão.