Consulta diaria

Primeira leitura: At 10,34a.37-43: 
Comemos e bebemos com ele depois que ressuscitou dos mortos.
Salmo: Sl 117,1-2.16ab-17.22-23 (R.24): 
Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!
Segunda leitura: Cl 3, 1-4: 
Esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo.
Evangelio: Jo 20,1-9: 
Ele devia ressuscitar dos mortos.

 

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: 'Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram.' Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou. De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

Comentário

Para este domingo de Páscoa a liturgia nos oferece como primeira leitura um discursos de Pedro após ter sido transformado pela força de Pentecostes: discurso que pronunciou na casa do centurião Cornélio, a propósito do consumo de alimentos puros e impuros, que estava em íntima relação com o tema do anúncio do Evangelho aos não judeus e de seu ingresso na comunidade cristã nascente. O discurso de Pedro é um resumo da proclamação típica do Evangelho que contém os elementos essenciais da história da salvação e das promessas de Deus cumpridas em Jesus. Pedro e os demais apóstolos pregam a morte de Jesus por mãos dos judeus, mas também sua ressurreição por obra do Pai, porque "Deus estava com ele", de modo que a morte e ressurreição de Jesus são a via de acesso de todos os homens e mulheres, judeus e não judeus, à grande família surgida da fé em sua pessoa como Filho e Enviado de Deus, e como Salvador universal; uma família onde não há exclusões de nenhum tipo. Esse é um dos principais sinais da ressurreição de Jesus e o meio mais efetivo para comprovar ao mundo que ele se mantém vivo na comunidade.

Uma comunidade, um povo, uma sociedade onde há excluídos ou marginalizados, onde o rigor das leis divide e separa uns dos outros, é a antítese do efeito primordial da Ressurreição; e em muito maior medida se se trata de uma comunidade ou de um povo que se diz cristão.

O evangelho de João nos apresenta Maria Madalena madrugando para ir ao sepulcro de Jesus. "Ainda estava escuro", destaca o evangelista. É preciso levar em conta esse detalhe, porque João gosta de jogar com esses símbolos contrastantes: luz-trevas, mundo-espírito, verdade-falsidade, etc. Maria, pois, permanece no escuro; não experimentou ainda a realidade da Ressurreição. Ao ver que a pedra que tapava a entrada do sepulcro estava removida, não entra, como fazem também as mulheres do relato de Lucas, mas retorna correndo para buscar Pedro e o "outro discípulo". Ela permanece submetida ainda à figura masculina; sua reação natural é deixar que sejam eles os que vão ver e comprovar, e que depois digam eles mesmos o que viram. Este é outro contraste com o relato lucano. Porém inclusive entre Pedro e o outro discípulo que "Jesus amava", existe no relato de João um certo atraso de relação hierárquica: mesmo sabendo que o "outro discípulo" correu mais, devia ser Pedro, o mais velho, a entrar primeiro e verificar. E com efeito, no túmulo somente estão os lençóis e o sudário; o corpo de Jesus desapareceu. Vendo isto creram, entenderam que a Escritura dizia que ele devia ressuscitar, e partiram para comunicar tão transcendental notícia aos demais discípulos. A estrutura simbólica do relato fica perfeitamente construída.

A ação transformadora mais palpável da ressurreição de Jesus foi a partir de então sua capacidade de transformar o interior dos discípulos –antes desagregados, egoístas, divididos e atemorizados– para voltar a convocá-los ou reuni-los em torno da causa do Evangelho e enchê-los de seu espírito de perdão.

A pequena comunidade dos discípulos não somente havia se dissolvido por causa da execução de Jesus, mas também pelo medo de seus inimigos e pela insegurança que fica num grupo com a traição de um de seus membros.

Os corações de todos estavam feridos. A bem da verdade, todos eram dignos de censura: ninguém havia entendido corretamente a proposta do Mestre. Por isso, quem não o havia traído, o havia abandonado à sua sorte. E se todos eram dignos de censura, todos estavam necessitados de perdão. Voltar a dar coesão à comunidade de seguidores, dar-lhes unidade interna no perdão mútuo, na solidariedade, na fraternidade e na igualdade, era humanamente impossível. No entanto, com a presença e a força interior do "Ressuscitado" isso foi possível.

Quando os discípulos desta primeira comunidade sentem interiormente esta presença transformadora de Jesus, e quando a comunicam, é então quando realmente experimentam sua ressurreição. E é então quando já lhes sobram todas as provas exteriores da mesma. O conteúdo simbólico dos relatos do Ressuscitado apresentado pela comunidade, revela o processo renovador que o Ressuscitado opera no interior das pessoas e do grupo.

Magnífico exemplo do que o efeito da Ressurreição pode produzir também hoje entre nós, no âmbito pessoal e comunitário. A capacidade do perdão; da reconciliação conosco mesmos, com Deus e com os demais; a capacidade de reunificação; a capacidade de transformar-se em proclamadores eficazes da presença viva do Ressuscitado, pode dar-se também entre nós como se deu com aquele punhado de homens tristes, covardes e dispersos após o milagre da Ressurreição.

Complementamos a reflexão com este soneto de Pedro Casaldáliga:

“Eu mesmo O verei”

E seremos nós, para sempre,

como és Tu o que foste, em nossa terra,

companheiro de todos os caminhos.

Seremos o que somos, para sempre,

porém gloriosamente restaurados,

como são tuas essas cinco chagas,

imprescritivelmente gloriosas.

Como Tu és o que foste, humano, irmão,

exatamente igual na tua morte,

Jesus, o mesmo e totalmente outro,

Assim seremos para sempre, exatos,

o que fomos, somos e seremos,

totalmente outros, porém, tão nós mesmos.

Oração

Ó Deus, Mistério eterno de Amor, Justiça e Fidelidade, que com vosso poder, e com muitos sinais perante a consciência de seus discípulos, avalizastes a Jesus de Nazaré após a morte que seus perseguidores infligiram sobre ele, para deixar claro que estáveis de seu lado e que sua Causa interpretava vossa mesma Vontade sobre o ser humano e sobre o mundo. Resgatai também do sofrimento, do esquecimento e da morte a tantos homens e mulheres que, como Jesus, deram a vida ao longo da história na defesa de outras tantas Causas como a sua, e fazei de nós, já neste mundo, convictos testemunhas do triunfo final da Justiça, do Amor e da Vida. Nós vos pedimos por Jesus, vosso Filho e nosso Irmão. Assim seja!

Santo do Dia

Nossa Senhora da Penha


Lá pelo ano de 1434, N. Senhora apareceu em sonhos a um monge chamado Simão Vela. Cercada de luz, ela lhe acenava para que fosse até ela na montanha. Nessa procura, o monge vagou por cinco anos, até que finalmente encontrou na encosta da montanha Penha de França, no norte da Espanha, a imagem vista em sonho. Construiu ali uma ermida, onde mais tarde surgiu o santuário de N. Senhora da Penha. É invocada com a seguinte oração: Virgem Santíssima, Nossa Senhora da Penha, sois a Consoladora dos aflitos. Infundi em nossos corações o conforto e o alívio. Sois a nossa esperança. Em vós depositamos nossa confiança e esperamos da vossa bondade o lenitivo para as dores que nos acabrunham. Assisti-nos nas agruras desta vida, para que façamos delas semente para um mundo mais fraterno e mais humano. Enxugai-nos o pranto, para que percebamos nesses desafios a sabedoria da vontade divina, e possamos merecer as vossas bênçãos e as de Jesus, vosso divino Filho. Amém.