Consulta diaria

Primeira leitura: Is 52,13 - 53,12: 
Ele foi ferido por causa de nossos pecados.
Salmo: Sl 30,2.6.12-13.15-16.17.25 (R. Lc 23,46): 
Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
Segunda leitura: Hb 4,14-16; 5,7-9: 
Ele aprendeu a ser obediente e tornou-se causa de salvação para todos os que lhe obedecem.
Evangelio: Jo 18,1-19,42: 
Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Naquele tempo: Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos. Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos. Judas levou consigo um destacamento de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas. Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer, saiu ao encontro deles e disse: 'A quem procurais?' Responderam: 'A Jesus, o nazareno'. Ele disse: 'Sou eu'. Judas, o traidor, estava junto com eles. Quando Jesus disse: 'Sou eu', eles recuaram e caíram por terra. De novo lhes perguntou: 'A quem procurais?' Eles responderam: 'A Jesus, o nazareno'. Jesus respondeu: 'Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procurais, então deixai que estes se retirem'. Assim se realizava a palavra que Jesus tinha dito: 'Não perdi nenhum daqueles que me confiaste'. Simão Pedro, que trazia uma espada consigo, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco. Então Jesus disse a Pedro: 'Guarda a tua espada na bainha. Não vou beber o cálice que o Pai me deu?' Conduziram Jesus primeiro a Anás. Então, os soldados, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram. Conduziram-no primeiro a Anás, que era o sogro de Caifás, o sumo sacerdote naquele ano. Foi Caifás que deu aos judeus o conselho: 'É preferível que um só morra pelo povo'. Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote. Pedro ficou fora, perto da porta. Então o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu, conversou com a encarregada da porta e levou Pedro para dentro. A criada que guardava a porta disse a Pedro: 'Não pertences também tu aos discípulos desse homem?' Ele respondeu: 'Não'. Os empregados e os guardas fizeram uma fogueira e estavam-se aquecendo, pois fazia frio.Pedro ficou com eles, aquecendo-se. Entretanto, o sumo sacerdote interrogou Jesus a respeito de seus discípulos e de seu ensinamento. Jesus lhe respondeu: 'Eu falei às claras ao mundo. Ensinei sempre na sinagoga e no Templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas. Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que falei; eles sabem o que eu disse.' Quando Jesus falou isso, um dos guardas que ali estava deu-lhe uma bofetada, dizendo: 'É assim que respondes ao sumo sacerdote?' Respondeu-lhe Jesus: 'Se respondi mal, mostra em quê; mas, se falei bem, por que me bates?' Então, Anás enviou Jesus amarrado para Caifás, o sumo sacerdote. Não és tu também um dos discípulos dele? Pedro negou: 'Não! Simão Pedro continuava lá, em pé, aquecendo-se. Disseram-lhe: 'Não és tu, também, um dos discípulos dele?' Pedro negou: 'Não!' Então um dos empregados do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse: 'Será que não te vi no jardim com ele?' Novamente Pedro negou. E na mesma hora, o galo cantou. O meu reino não é deste mundo. De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador. Era de manhã cedo. Eles mesmos não entraram no palácio, para não ficarem impuros e poderem comer a páscoa. Então Pilatos saiu ao encontro deles e disse: 'Que acusação apresentais contra este homem?' Eles responderam: 'Se não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti!' Pilatos disse: 'Tomai-o vós mesmos e julgai-o de acordo com a vossa lei.' Os judeus lhe responderam: 'Nós não podemos condenar ninguém à morte'. Assim se realizava o que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer. Então Pilatos entrou de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe: 'Tu és o rei dos judeus?' Jesus respondeu:'Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isto de mim?' Pilatos falou: 'Por acaso, sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim.Que fizeste?'. Jesus respondeu: 'O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui.' Pilatos disse a Jesus: 'Então tu és rei?' Jesus respondeu: 'Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz.' Pilatos disse a Jesus: 'O que é a verdade?' Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro dos judeus, e disse-lhes: 'Eu não encontro nenhuma culpa nele. Mas existe entre vós um costume, que pela Páscoa eu vos solte um preso. Quereis que vos solte o rei dos Judeus?' Então, começaram a gritar de novo: 'Este não, mas Barrabás!' Barrabás era um bandido. Viva o rei dos judeus! Então Pilatos mandou flagelar Jesus. Os soldados teceram uma coroa de espinhos e colocaram-na na cabeça de Jesus. Vestiram-no com um manto vermelho, 3aproximavam-se dele e diziam:'Viva o rei dos judeus!' E davam-lhe bofetadas. 4Pilatos saíu de novo e disse aos judeus: 'Olhai, eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não encontro nele crime algum.' Então Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto vermelho. Pilatos disse-lhes: 'Eis o homem!' Quando viram Jesus, os sumos sacerdotes e os guardas começaram a gritar:'Crucifica-o! Crucifica-o!' Pilatos respondeu: 'Levai-o vós mesmos para o crucificar, pois eu não encontro nele crime algum.' Os judeus responderam: 'Nós temos uma Lei, e, segundo esta Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus'. Ao ouvir estas palavras, Pilatos ficou com mais medo ainda. Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus: 'De onde és tu?' Jesus ficou calado. Então Pilatos disse: 'Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar?' Jesus respondeu: 'Tu não terias autoridade alguma sobre mim, se ela não te fosse dada do alto. Quem me entregou a ti, portanto, tem culpa maior.' Fora! Fora! Crucifica-o! Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus. Mas os judeus gritavam: 'Se soltas este homem, não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César'. Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado 'Pavimento', em hebraico 'Gábata'. Era o dia da preparação da Páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus: 'Eis o vosso rei!' Eles, porém, gritavam: 'Fora! Fora! Crucifica-o!' Pilatos disse: 'Hei de crucificar o vosso rei?' Os sumos sacerdotes responderam: 'Não temos outro rei senão César'. Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles o levaram. Ali o crucificaram, com outros dois. Jesus tomou a cruz sobre si e saiu para o lugar chamado 'Calvário', em hebraico 'Gólgota'. Ali o crucificaram, com outros dois: um de cada lado, e Jesus no meio. Pilatos mandou ainda escrever um letreiro e colocá-lo na cruz; nele estava escrito: 'Jesus o Nazareno, o Rei dos Judeus'. Muitos judeus puderam ver o letreiro, porque o lugar em que Jesus foi crucificado ficava perto da cidade. O letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego. Então os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: 'Não escrevas 'O Rei dos Judeus', mas sim o que ele disse: 'Eu sou o Rei dos judeus'.' Pilatos respondeu: 'O que escrevi, está escrito'. Repartiram entre si as minhas vestes. Depois que crucificaram Jesus, os soldados repartiram a sua roupa em quatro partes, uma parte para cada soldado. Quanto à túnica, esta era tecida sem costura, em peça única de alto a baixo. Disseram então entre si: 'Não vamos dividir a túnica. Tiremos a sorte para ver de quem será'. Assim se cumpria a Escritura que diz: 'Repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sorte sobre a minha túnica'. Assim procederam os soldados. Este é o teu filho. Esta é a tua mãe. Perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmó da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: 'Mulher, este é o teu filho'. Depois disse ao discípulo: 'Esta é a tua mãe'. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. Tudo está consumado. Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse: 'Tenho sede'. Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. Ele tomou o vinagre e disse: 'Tudo está consumado'. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. E logo saiu sangue e água. Era o dia da preparação para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz. Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro que foram crucificados com Jesus. Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Aquele que viu, dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis. Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: 'Não quebrarão nenhum dos seus ossos'. E outra Escritura ainda diz: 'Olharão para aquele que transpassaram'. Envolveram o corpo de Jesus com os aromas, em faixas de linho. Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus - mas às escondidas, por medo dos judeus - pediu a Pilatos para tirar o corpo de Jesus. Pilatos consentiu. Então José veio tirar o corpo de Jesus. Chegou também Nicodemos, o mesmo que antes tinha ido a Jesus de noite. Trouxe uns trinta quilos de perfume feito de mirra e aloés. Então tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho, como os judeus costumam sepultar. No lugar onde Jesus foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. Por causa da preparação da Páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus.

Comentário

Cada comunidade cristã conservou uma recordação particular de Jesus. A comunidade do apóstolo João manteve por mais de meio século algumas palavras de Jesus na cruz que não aparecem em nenhum outro evangelho. Jesus confia sua mãe ao discípulo amado. Todas as demais realidades que o acompanharam durante sua atividade missionária haviam desaparecido: o grupo de amigos, a comunidade de discípulos, a multidão que o aclamou à entrada de Jerusalém... Inclusive suas vestes ficaram em mãos dos soldados. No entanto, apesar de ter sido despojado, Jesus ainda tem algo para dar: entrega sua própria mãe para que seja acolhida na casa do discípulo amado e, ao mesmo tempo, entrega o discípulo amado como um filho.

O discípulo amado é o símbolo da comunidade cristã que continuou fiel a Jesus, apesar do tempo passado e não obstante as inclementes perseguições de que foi objeto. A comunidade cristã acolhe Maria como Mãe por iniciativa de Jesus que quis deixar uma herança perene e, ao mesmo tempo, encomenda aos cuidados da Mãe a frágil e fiel comunidade. Esta mútua entrega é o ponto culminante de uma atividade missionária que começou em Caná da Galileia quando Maria indicou a seu Filho que o vinho da festa havia terminado (Jo 2,1-12); logo Jesus mesmo se transformou no vinho novo e no pão da vida (Jo 6,35). Deste modo, confluem na cruz diversas realidades que permitem compreender a profundidade com a qual alguns discípulos entenderam e proclamaram a vida de Jesus.

A cruz, entretanto, não deve ser entendida unicamente como o cenário da morte de Jesus. A crucificação era a máxima pena que o império impunha. A cruz era um castigo tão degradante que não se podia aplicar a quem fosse cidadão romano. Somente eram crucificados os inimigos do império, os presos políticos e os rebeldes capturados na guerra. Jesus morre ao estilo dos subversivos e revolucionários. Ter algum parentesco, familiariedade ou amizade com um condenado à cruz era causa de desprezo social. O testemunho de Jesus levou os discípulos à compreensão de que o caminho da cruz não era de opróbrio e maldição, mas uma maneira radical de optar pela justiça e pela paz. A cruz obrigou os discípulos a mudar de mentalidade e a colocar-se ao lado daqueles que assim morriam. Eles propunham como salvador da Humanidade a um homem que morreu proscrito pela lei. Afinal de contas, eles anunciavam o "Deus crucificado".

A presença de Maria durante toda a vida de Jesus não é acidental. Maria participou da mesma sorte de seu filho. O caminho ao Calvário exigiu dela e de todo o grupo de mulheres que seguiam o Nazareno, a máxima resistência diante da dor e da humilhação. A presença de Maria no caminho ao Calvário não é um fato acidental. É consequência de um seguimento corajoso e decidido.

Maria não se contentou apenas em ver como seu filho crescia e atingia a maturidade. Ela se fez partícipe da atividade missionária de seu filho, mesmo tendo que passar por duras dificuldades por causa das acusações de loucura, gula e bebedeira que os inimigos lançaram contra Jesus (Lc 3, 20-30) e além da forte exigência de Jesus que punha o evangelho acima dos vínculos de parentesco (Lc 3, 31-35). Estas dificuldades não minguaram seu ânimo. Por isso, a vemos subir com Jesus ao Calvário e depois formando parte da comunidade que recebe o Espírito Santo em Pentecostes.

De Maria de Nazaré não somente devemos ter uma imagem idealizada; devemos recuperar a imagem que dela nos oferece o evangelho.

O Novo Testamento nos mostra Maria como uma mulher que cresce no amor e fidelidade ao reino de Deus. Sua palavra não é um monólogo sobre os assuntos domésticos. Pelo contrário, sua voz se levanta como uma exigência de justiça em meio a uma situação que perdeu o sentido do respeito à vida. Por isso, ela, no Magnificat, recorda-nos que Deus está do lado dos humildes e fracos. Deus quer que toda a humanidade seja livre e cresça em solidariedade. Hoje, Maria nos convida a comprometer-nos decididamente com a proposta de Deus. Ela não duvidou em dar uma resposta generosa à oferta de Deus.

As realidades cotidianas exigem de nós uma atitude diferente diante da realidade. Não podemos deixar-nos envolver unicamente por problemas ínfimos esquecendo a situação de nossa comunidade e do nosso bairro. Como Maria devemos estar atentos à voz que Deus nos dirige nas situações que exigem nossa solidariedade. Nossa devoção mariana deve crescer na prática da justiça.

Santo do Dia
S. João Clímaco

séc. VII ? abade ? invocado contra as desordens espirituais ? \"João? significa \"Deus é benigno? e \"Clímaco? quer dizer \"escada?

O abade S. João Clímaco nasceu na Palestina e viveu na segunda metade do século VII. Sua obra Escada para o paraíso alcançou grande popularidade na Idade Média e valeu-lhe o cognome de \"Clímaco? (escada). Sua vida foi escrita pelo monge Daniel, do mosteiro de Raithu. Aos 16 anos, ingressou no mosteiro do Sinai, tendo por mestre um santo ancião chamado Martírio. Após a morte do mestre, retirou-se para uma vida solitária, nas proximidades do mosteiro, participando da vida comunitária apenas aos domingos. Vivia do trabalho das próprias mãos, entregue à contemplação, ao estudo da palavra de Deus e dos Padres da Igreja. Tinha como regra de vida não contradizer nem contestar ninguém que o visitasse na solidão. Sua comunhão com Deus atingiu tal ponto que seus olhos semelhavam-se a \"fontes a fluir sem parar?, pois \"conversava com Deus face a face?. Tinha o dom de curar as desordens espirituais. A quem o procurava em dificuldades, ele pedia que recorresse à oração que sempre era atendida. Durante esse período, escreveu a Escada para o paraíso, em que propõe trinta degraus para alcançar a perfeição cristã. Morrendo o abade do monte Sinai, foi aclamado o novo abade. Tinha cerca de 75 anos de idade, dos quais 40 passara no deserto.