Consulta diaria

Primeira leitura: Is 22,19-23: 
Eu o farei portar aos ombros a chave da casa de Davi.
Salmo: Sl 137,1-2a.2bc-3.6.8bc (R. 8bc): 
Ó Senhor, vossa bondade é para sempre! Completai em mim a obra começada!
Segunda leitura: Rm 11,33-36: 
Tudo é dele, por ele, e para ele.
Evangelio: Mt 16,13-20: 
Tu és Pedro e eu te darei as chaves do Reino dos céus.

 

Tema: 21º Domingo do Tempo Comum

Naquele tempo: Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou a seus discípulos: 'Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?' Eles responderam: 'Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas.' Então Jesus lhes perguntou: 'E vós, quem dizeis que eu sou?' Simão Pedro respondeu: 'Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.' Respondendo, Jesus lhe disse: 'Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus.' Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias.

 

Comentário

O texto de Isaías refere-se, bem provavelmente, à época imediatamente anterior à primeira deportação. Recordemos que como represália a um intento de rebelião, o império babilônico exilou, no ano 597 a.C., grande quantidade de líderes da sociedade e os transladou a várias cidades e campos da Mesopotâmia. Isto significou um duro golpe para as pretensões da família monárquica que se considerava inamovível do trono.

A profecia de Natã que, na realidade, era uma exortação para que o rei se mantivesse fiel à vontade do Senhor, havia se convertido já na época de Salomão, num recurso ideológico para legitimar o monopólio do poder. Ao início do século VI a situação de Judá mudou completamente, com a entrada em cena do império babilônico, que teve a pretensão de criar um império por meio da submissão de todos os pequenos reinos e do controle das tribos dispersas por todo o chamado "Meia Lua Fértil". Jerusalém era apenas uma fortaleza a mais a ser conquistada.

A profecia de Davi dirige-se contra as pretensões da classe dirigente que se considerava proprietária perpétua do trono. O caso mais patético era o dos primeiros ministros, que substituíam o rei em sua ausência. Estes personagens, quase sempre provenientes da alta aristocracia, ganhavam singular importância quando podiam governar o país e receber todas as honras regularmente reservadas ao rei.

Parece que o mordomo do palácio real de Jerusalém, chamado Sobna, excedeu-se em suas pretensões e não se contentou em ostentar a 'faixa' do rei, mas fez das chaves do palácio o símbolo de seu crescente poder. Todas estas manifestações de arrogância punham em evidência quão arruinadas estavam as instituições monárquicas e o grau extremo de decadência no qual havia caído a corte. Isaías pronuncia um oráculo de condenação contra este ministro presunçoso, denunciando todas as arbitrariedades que havia cometido. Anunciou qual seria o fim de todas as suas façanhas. O que havia construído para si uma sepultura luxuosa, morreria num campo desolado em terras estrangeiras. A chave que o primeiro ministro ostentava, terminaria em mãos de outra pessoa mais capaz. Os caminhos do Senhor não são os do indivíduo orgulhoso e alienado. Tudo o que um sistema social constrói sobre a exploração, o abuso do direito e a falsidade, termina irremediavelmente condenado à insignificância.

Paulo, fazendo eco dos hinos à sabedoria, recorda a distância enorme que há entre as absurdas pretensões individualistas e megalomaníacas e o sábio desígnio de Deus que dispõe unicamente o que é proveitoso para o ser humano.

Essa contraposição frente às desmedidas pretensões de certos indivíduos e grupos sedentos de poder e os insondáveis caminhos do Senhor, faz-se patente no episódio do evangelho. Na metade do caminho a Jerusalém, ou seja, na exata metade do processo de formação dos discípulos, Jesus os interroga sobre aquilo que puderam captar no tempo em que os acompanhou e orientou.

As respostas nos surpreendem. De uma parte a multidão que segue a Jesus o identifica corretamente como um dos profetas. De outra, o grupo representado pela voz de Pedro o reconhece corretamente como Messias e Filho de Deus. No entanto, subsiste um problema de fundo: tanto a multidão como os discípulos querem impor a Jesus um estilo de ser profeta e uma maneira de ser Messias. Discípulos e multidão pedem o que é contrário à vontade de Deus e inconsequente com o ensinamento de Jesus. Pareceria que o enorme esforço de Jesus não tivesse surtido o efeito esperado, e que os discípulos, ao invés de mudar de mentalidade, teriam reforçado suas antigas e errôneas ideias. Entretanto, o evangelho quer nos mostrar que os discípulos ainda devem passar pela experiência da cruz para compreender o verdadeiro alcance das palavras e obras de Jesus.

Jesus é, sim, o Messias, mas não o Messias triunfalista e prepotente do nacionalismo exacerbado, mas uma pessoa a serviço das mais profundas causas humanas. Jesus, é sim, o profeta, mas não o profeta que anuncia a supremacia da própria religião ou da ideologia de seu grupo; é o profeta do amor, da justiça e da paz.

As três leituras nos mostram quão impredizíveis e certeiros são os caminhos de Deus e quão caducos e esquemáticos são os nossos trilhados caminhos. O evangelho nos convida a aprender de Jesus qual é o caminho autêntico que nos conduz ao Pai, porque "nem todo o que diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus".

Oração

Ó Deus, nosso Pai, que unes os corações de teus fiéis num mesmo desejo: inspira a teu povo o amor à tua vontade e a firme esperança em tuas promessas para que, por entre as dificuldades da vida, mantenha sempre firme sua confiança em Ti e goze da verdadeira alegria. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Santo do Dia
S. Rosa de Lima
1617-1671 ? reclusa ? padroeira da América Latina e Filipinas
? \"Rosa? lembra a sua beleza incomparável

Rosa de Lima foi a primeira santa latino-americana a ser canonizada. Filha de família espanhola decadente, trabalhou duro para sustentar os irmãos. Antes de ingressar na Ordem Terceira de S. Francisco, já vivia como reclusa numa pequena cela que mandara construir para si. Ali entregava-se à oração, à penitência e à caridade, especialmente aos índios e aos negros. Pedia ao Senhor
que aumentasse seus sofrimentos e, pelos sofrimentos, aumentasse também o amor de Deus em seu coração. É invocada com a seguinte oração: Senhor, inflamastes com vosso amor S. Rosa de Lima, padroeira da América Latina, patrona dos agentes da ordem pública e guardiã da paz e tranqüilidade das pessoas. Vós a convocastes para viver só para Deus na austeridade e penitência. Concedei-nos por sua intercessão que saibamos seguir na terra o caminho da vida de amor para usufruirmos no céu da torrente de vossas delícias.