Consulta diaria

Primeira leitura: Ap 11,19a; 12,1-6a.10ab: 
Apareceu no céu um grande sinal.
Salmo: Sl 44(45),10bc.11.12ab.16 (R. 10b): 
À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir.
Segunda leitura: 1Cor 15,20-26.28: 
Entregará a realeza a Deus-Pai, para que Deus seja tudo em todos.
Evangelio: Lc 1,39-56: 
Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha visitar-me?

 

Tema: Assunção de Nossa Senhora (Solenidade)

Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!" Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu". Maria disse: "A minha alma engrandece o Senhor, e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador, pois, ele viu a pequenez de sua serva, eis que agora as gerações hão de chamar-me de bendita. O Poderoso fez por mim maravilhas e Santo é o seu nome! Seu amor, de geração em geração, chega a todos que o respeitam. Demonstrou o poder de seu braço, dispersou os orgulhosos. Derrubou os poderosos de seus tronos e os humildes exaltou. De bens saciou os famintos despediu, sem nada, os ricos. Acolheu Israel, seu servidor, fiel ao seu amor, como havia prometido aos nossos pais, em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre". Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

 

Comentário

Na metade do mês de agosto, eclode a alegria na liturgia da Igreja. No hemisfério norte, coincide - ou foi - com as festividades ancestrais da "onda de calor" do verão boreal. A alegria da plenitude das colheitas atinge sua plenitude agora, quando celebramos a Assunção da Virgem Maria. Ela, a mãe de Jesus, é a "primeira cristã", ela também deve ser a primeira a chegar a Jesus. A fé da igreja queria ver nela a confirmação definitiva de que nossa esperança faz sentido. Esta vida, embora nos pareça estar doente de morte, está realmente grávida de uma vida que já se manifesta em nós e que devemos celebrar aqui e agora. E antes de tudo, em Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe.

Na primeira leitura, encontramos uma batalha frontal entre a fraqueza de uma mulher prestes a dar à luz e a crueldade de um monstro perverso e poderoso que se apropria de boa parte do mundo e quer levar o filho da mulher. O Apocalipse, faz uma história rica em simbologia na qual as comunidades cristãs podem ser representadas nas mulheres, reconhecendo que um setor do cristianismo nos primeiros dias teve uma alta influência da pessoa de Maria e da presença feminina em seu meio, como apoiadoras da fé e do radicalismo. Por outro lado, o monstro é sinônimo do aparato imperial. Com suas respectivas cabeças e chifres, representam os tentáculos do poder civil, militar, cultural, econômico e religioso, determinado a eliminar o cristianismo, devido ao seu espírito profético, uma vez que se tornou desconfortável para os poderosos da terra.

A segunda leitura começa lindamente com uma metáfora da ressurreição de Cristo como o primeiro fruto da colheita e depois esclarece como todos os que vivem em Cristo, que morrem em Cristo, também ressuscitarão em Cristo. É uma afirmação da vida plena para aqueles que assumem o projeto de Jesus como próprios e, nesse sentido, tornam-se participantes da glória da ressurreição.

No Evangelho, o cântico de alegria de Maria proclamado hoje se torna nosso cântico. Temos poucos dados sobre Maria nos Evangelhos. Os estudiosos nos dirão que este cântico, o Magnificat, quase certamente não foi proferido por Maria, mas é uma composição do autor do Evangelho de Lucas. Não há dúvida, no entanto, de que, mesmo sem ser histórico, capta o sentimento autêntico de Maria, seus sentimentos mais profundos diante da presença salvadora de Deus em sua vida. É um hino de louvor. Essa é a resposta de Maria à ação de Deus. Louvar e agradecer. Ela não se sente grande ou importante por si mesma, mas pelo que Deus está fazendo através dela.

"Minha alma proclama a grandeza do Senhor." Maria desfruta plenamente dessa vida. Sua fé a fez viver a nova vida de Deus em sua vida. Há um detalhe importante. O que o evangelho nos diz não acontece nos últimos dias da vida de Maria, quando já supomos que ela havia experimentado a ressurreição de Jesus, mas antes do nascimento de seu Filho. Mesmo assim, Maria estava tão cheia de fé que confiou totalmente na promessa de Deus. Maria estava certa de que algo novo estava nascendo. A vida que ela carregava em seu ventre, ainda em embrião, era o sinal de que Deus havia começado a agir a favor de seu povo.

Mais de uma vez, em alguma ditadura, esse cântico de Maria foi considerado revolucionário e subversivo. E foi censurado. Ele é certamente revolucionário, e sua mensagem tende a inverter a ordem estabelecida, a ordem que os poderosos tentam manter a todo custo. Maria, cheia de confiança em Deus, anuncia que se colocou a favor dos pobres e deserdados deste mundo. A ação de Deus muda totalmente a ordem social do nosso mundo: ele derruba os poderosos e exalta os humildes. Não é isso que estamos acostumados a ver em nossa sociedade. Nem no tempo de Maria. A vida de Deus é oferecida a todos, mas apenas os humildes, aqueles que sabem que a salvação só vem de Deus, estão dispostos a aceitá-la. Quem se sente seguro com o que tem, perde tudo. Maria sabia confiar e estar aberta à promessa de Deus, confiando e acreditando além de toda esperança.

Hoje Maria alenta a nossa esperança e nosso compromisso de transformar este mundo, para torná-lo mais como Deus deseja: um lugar de irmandade, onde todos temos um lugar à mesa que Deus preparou para nós. Mas neste dia Maria incentiva especialmente nossos louvores e ações de graças. Maria nos convida a olhar a realidade com novos olhos e descobrir a presença de Deus, talvez em embrião, mas já presente, ao nosso redor. Maria nos convida a cantar com alegria e proclamar, com ela, a grandeza do Senhor.

Nota crítica. Nesse ponto, é importante não falar da Assunção de Maria simplesmente como alguém que dá por suposto um traslado físico de Maria para o céu, uma espécie de viagem espacial ... Não é necessário abordar uma vez mais o tema na análise do assunto dos “dois andares” da cosmovisão religiosa clássica ... Mas é necessário, mesmo com um pequeno parágrafo simples, lembrar aos ouvintes que não estamos descrevendo uma “ascensão” literal, uma “subida ao céu”, uma transferência física, mas uma expressão metafórica, para que toda a reflexão bíblico-litúrgica não seja mal compreendida.

O que poderia ser dito explicitamente nesse sentido sobre o tema da “assunção” é o mesmo (e com mais razão) que se refere à “ascensão”. Recomendamos este excelente texto de Leonardo Boff sobre a ascensão: servicioskoinonia.org/biblico/textos/ascension.htm (está em espanhol).

Oração

Deus, nosso Pai, que levastes Maria a alcançar já junto a Vós a mesma plenitude de vida de Jesus Cristo; concedei-nos que, sendo, como ela, fiéis no cumprimento de vossa vontade, também possamos compartilhar a glória da ressurreição. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Santo do Dia
S. estêvão da Hungria
979-1038 ? rei ? \"Estêvão? significa \"coroa?, \"diadema?.

Estêvão nasceu em 979, na Hungria. Aos 17 anos, converteu-se à fé cristã pela pregação de S. Adalberto, bispo de Praga. Chamava-se Vaik, mas quis ser batizado com o nome do primeiro mártir do cristianismo, Estêvão. Mais tarde, casou-se com a irmã do imperador Henrique II, da Baviera, Gisela, entrando assim para o rol dos reis católicos. É tido como o fundador do povo húngaro e responsável pela sua cristianização. Para isso contou com a ajuda dos beneditinos clunistas (Cluny). Seu reinado durou 43 anos (997-1038), tempo em que conseguiu consolidar a nacionalidade húngara e implantar o catolicismo. Numerosos foram os mosteiros por ele fundados. O mais importante deles foi o mosteiro de S. Martinho de Pannonhalma, centro de irradiação da espiritualidade e da atividade missionária. Rei justo, pacífico e piedoso, respeitador das leis da Igreja, procurou sempre favorecer os interesses da Sé romana. Estabeleceu numerosas dioceses e contribuiu para o fortalecimento do catolicismo no seu reino. Morreu em 1038, em Szekesfehérvar.